A ganância.
Ao meu lado há gente que morre. Há gente que morre destituída de ganância. Ao meu lado há gente que morre destituída de ganância. Onde a terão deixado? Onde a terão perdido? Onde terá toda esta gente deixado toda a sua ganância? Onde terão perdido o seu desejo de reconhecimento? Aqui. Aqui há gente que luta contra a morte. Aqui. Ao meu lado há gente que lutando contra a morte terá encontrado a essência da vida. Ao meu lado há gente que descobriu a essência da vida. Lutando contra a morte. Ao meu lado, os enfermos. Os enfermos vislumbrando a essência da vida. Ao meu lado os enfermos encontraram a essência da vida. Alcançaram por fim a essência da vida. A luta contra a morte. A essência da vida. Não a luta contra os outros. Não a luta para suplantar os outros. Não a continua luta para deixar os outros lá atrás. Bem lá atrás. A ganância. A ganância morrendo. Todos os dias. Ao meu lado há gente morrendo. Destituída de ganância. Dia a dia. Os enfermos morrem. Consigo ouvir seus corações implodindo. A cada segundo. A cada segundo há corações implodindo. Eu não me mexo. Mantenho-me seguro. Preciso manter-me seguro.
O aneurisma.
Não esquecer o aneurisma. Como posso mexer-me? Não me mexo. Não te mexas. Nem por um segundo. Não te mexas. Oiço. O desejo. Refreia o teu desejo. Refreio o meu desejo. Cumpro as regras.
A sobrevivência.
A minha sobrevivência. Nem um dedo. Não mexo nem um dedo. O desejo de reconhecimento. Não quero ser reconhecido. Nem um milímetro. Nem um milímetro de reconhecimento.
A luta. A vontade de luta.
O poder. A vontade de poder.
A minha vontade de poder encontrou o seu foco. Por fim. Luto contra a morte. A cada segundo. A cada segundo, as contrações musculares. Os músculos implodindo. Eu implodindo. A cada segundo.
Não é possível extirpar a ganância do coração dos homens, mas é possível extirpar os homens abjectamente gananciosos do coração do mundo.
Sem comentários:
Enviar um comentário