Aqui era a puberdade.
Aqui era a puberdade,
o breve lugar
onde as ruas desertas dos subúrbios
nos irromperiam os domingos à tarde,
onde todo o desejo seria visceral,
visceralmente transcrito na musicalidade
onde nos esperávamos.
Aqui,
aqui era o lugar,
o breve lugar onde imunes aos dias nos julgámos.
A primeira ejaculaçäo,
o primeiro amor precoce
aqui aconteceu.
Aqui eram as fundamentais mudanças.
O crescimento,
o inevitável crescimento
aqui se deu.
Repentinamente
algo mudou,
repentinamente o vazio se fez,
e no vazio nos tornámos outros.
Pai, porque me abandonaste?
Porque me embriagaste
no gáudio
das breves batalhas vencidas
e depois abandonaste meu corpo?
Porque me deixaste só
aguardando as lanças,
esperando a carnificina?
Porque me expulsaste dos lugares paradisíacos
onde me habitava na novidade?
Porque não me permitiste vencer
a guerra contra o corpo?
Jesus,
Teu filho
sucumbindo na derrota!
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