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domingo, 27 de agosto de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - VII - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



Eis-nos a fragilidade dos pássaros, o instante em que a cera das asas nos anseia os raios solares. Tocado na urgência de voar sobre Creta, raso agora a impertinência. Eu, o Homem habitado pela morte, pela estranha necessidade de sobrevoar os labirintos. 
Após a prisão de Dédalo temo a minha continuidade, o aprisionamento no solo. Por isso unto-me de cera nas penas de gaivota e treino a aproximação ao Sol.
São estas as possibilidades: 
- voando muito baixo serei refém da humidade;
- voando demasiado alto derreterei junto às chamas. 
Não há nada de intermédio. Pelo menos não há nada de intermédio a que se possa chamar vida. 
Entretanto, poderia cegar os olhos e seguir a indiferença. Vagar-me na penumbra das coisas úteis e aí deixar-me aprisionado. 
Logo eu não me saber ser os outros e ao contrário dos outros não saber viver a iniquidade.
É isto:
serei tolhido pelos labirintos que criei enquanto o mar Egeu treina o curso de seu riso. 

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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