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domingo, 20 de agosto de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - VI - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



Olho o sussurro do mundo, o desabrochar das flores eternizando a beleza. 
Correrei veloz por dentro do vento até ao odor da polinização. Nada pronunciarei. Minha voz será contida na presença de teu cheiro. Não pronunciarei teu nome. Nada pronunciarei para que não te desveles, para que não te percas na volatilidade das coisas. 
Entretanto.
Olho o sussurro do mundo, o desabrochar das flores eternizando a beleza. 
Breves segundos antes da queda seremos perto da esfera celeste, toda a música tocada nos orgasmos dos anjos. Nada impedirá a propagação dos frutos, a disseminação das sementes caindo no solo, criando a estrutura do recomeço. 
Em teu corpo atingirei os estames onde me aguardas a procura do pólen, o vento correndo todas as direcções. No corrido vento serei a disseminação dos gametas, do micrósporo ao megásporo. 
Cumpriremos as leis da atracção. 
Entretanto.

Olho o sussurro do mundo, o desabrochar das flores eternizando a beleza. 

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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