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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Sobre toda a escuridão - VI - Fotografia: José João Loureiro; Texto: Rui Carvalho



O cair da noite revela-nos uma proposição fundamental: para que as luzes brilhem é necessário que o escuro se faça. Além do mais, as bermas da estrada são repletas de luzes. Não, não há como transpor a matéria, a espessura do mundo. Outra coisa que não seja o sofrimento da inadequação.
Existem cinco caminhos possíveis: seguir em frente, voltar atrás, tombar as bermas ou restar no mesmo sítio.  
Resta-me permanecer sentado, com os livros a arder-me nos olhos. Sentir que - tudo se move, que o espirito vaga sem peso. 
O trânsito flui, como um rio correndo. Se o seguirmos com o olhar vêmo-lo tombar no horizonte. 

Seja como for: o futuro não existe, nada que não seja esta intensa prontidão para partir. 

Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

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