Afrodite
Quero-me raio rasgando-te as vestes
até ser só teu assombro,
assombrosa mulher que desejo
até ti os milénios rasgarei, Afrodite, minha doce Afrodite
rasgarei milénios até que voltes a ser quem sempre me foste
até ti me regrido, minha Deusa
até ti me regrido o asfalto colhendo-me o desastre,
a intempérie até ao instante milagre.
Não quero futuro,
sombras que me desenhem lugares por haver
não quero habitar os longos planaltos onde nada me espera.
Percorrerei precipícios,
terras e eras longínquas onde me desprendo e me despenho
na descida meus joelhos rasgarei
rasgarei meu corpo até à suplantação do Aqueronte,
suplantarei o infernal rio até de novo me chegar a ti.
O rasganço rasgando séculos,
milénios
milénios rasgarei
até que de novo minha mulher me sejas, Afrodite, minha doce Afrodite!
Rui Carvalho, s. d.
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