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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Breve curso de introdução à economia Grega - VI

Afrodite

Quero-me raio rasgando-te as vestes 
até ser só teu assombro, 
assombrosa mulher que desejo 
até ti os milénios rasgarei, Afrodite, minha doce Afrodite
rasgarei milénios até que voltes a ser quem sempre me foste
até ti me regrido, minha Deusa
até ti me regrido o asfalto colhendo-me o desastre, 
a intempérie até ao instante milagre.
Não quero futuro, 
sombras que me desenhem lugares por haver
não quero habitar os longos planaltos onde nada me espera.
Percorrerei precipícios, 
terras e eras longínquas onde me desprendo e me despenho
na descida meus joelhos rasgarei 
rasgarei meu corpo até à suplantação do Aqueronte,
suplantarei o infernal rio até de novo me chegar a ti.
O rasganço rasgando séculos, 
milénios 
milénios rasgarei 
até que de novo minha mulher me sejas, Afrodite, minha doce Afrodite!

                         
             Rui Carvalho, s. d.

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