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domingo, 6 de agosto de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - IV - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



O eco do mundo inicia-se onde já nada se espera. Termina nesse mesmo lugar. Podemos escutá-lo, como se para sempre fosse. 
O mistério é esta luz erguendo-se na escuridão, a intangível surpresa do primeiro olhar resvalando na aparição das coisas. Nem tudo são árvores, vegetação povoando-se no mais enigmático silêncio. 
Contudo, a beleza é aceitarmos a dádiva das florestas, embrenharmo-nos no ritmo dos troncos e aí sorvermos a vida durante um longo período de tempo. Logo após, estaremos aptos. 
Convoco-me no discurso do mundo, na delirante surpresa da pós apneia. 
Ao olharmos para cima somos incididos pela luz. Esse é o momento. O instante do vislumbre. A paisagem tolhe-nos até às lágrimas e no interior da visão tolhida dar-se-ão os reencontros.  
Como somos distantes, correndo como alarves para o nascimento do Sol na pretensão de o agrilhoarmos ao nosso querer. 
Assim nos magoamos mutuamente, enleados na estúpida ânsia de nos adquirirmos nas paisagens.
Apenas tua pertença me interessa. 

Do Sol aguardo apenas os raios, toda esta luz incidindo em teu rosto. 

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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