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Expulso
do paraíso de minha infância
via desenhar-se ante mim o ciclo de todas as coisas
incessantemente cumprindo uma qualquer lei universal
o mundo consumindo-se em mim próprio e
ao consumir-se em mim próprio gerando o outro de si.
Eu, gerando em mim o outro de mim.
O mito da Grande Explosão substituindo-se ao mito
do Deus Criador.
Um avanço notável, dir-se-á.
A luz e o movimento,
a inércia e a lei da atração dos corpos.
O impensável transcrito no dizível,
a traição de toda a metafísica.
No entanto,
ultrajado na intriga de meus concidadãos
Sócrates repetidamente se deliciava perante o travo agreste da cicuta
incessantemente proclamando a incendiada prece:
"Eis o meu fardo, eu, o sacrificado à Grega derrota!"
Rui Carvalho, s. d.
Muito bom 👏🏼
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