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domingo, 13 de agosto de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - V - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



Aguardo, 
                as formas caindo do Sol, incidindo directamente em teu rosto.  
Que depois se faça uma pausa - o brilho das coisas - e que essa pausa se chame: olhar-te. Acho que te oiço chegar. Neste lugar onde não há números, vontades numéricas, onde apenas há a aparição do Sol e da Lua, a derivação dos pontos cardeais. 
O homem que beijar teus olhos será o homem da tua vida. Não precisas ler livros. Não precisas sequer cair no desassossego. Chegarás à porta e verás que estou só, sempre estive. 
Espero por ti. 
Aguardo-te entre a solidão das coisas! 
Enfrento o mundo sem deus, sem uma janela que seja, sem uma janela que se abra e que te desvende. 
Nada me interessa no inexacto percurso das janelas. Procuro-me entre as pedras, entre as pedras reergo o lugar onde o amor medra.   
Procuro as portas, a saída e a chegada. 
A diferença faz-se no que criarmos. Nem bem nem mal, somente a beleza, apenas a beleza das coisas. 

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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