Habitámos casas perto da rendição, pintámo-las de cores vivas, entre o vermelho sangue e o brilho de teus olhos. Pintados de negro, exercemos o esforço guerreiro de durar.
Sim, procurámos o mundo onde ele não existe.
Quanto a mim, quero apenas manter-me branco, forte; branco e alcalino como a cal. Assim saberei controlar a aridez do solo.
Quanto às casas: todas perecerão. As casas são devolutas e, além do mais, um qualquer abrigo me serve.
Sejamos claros: somos vitimas do passado, do nosso passado; a partir de agora apenas teremos futuro, e, algumas rosas rareando nas pétalas - silabas tombadas no abandono.
Será que apenas eu saberei dizer as coisas difíceis? A dificuldade da partida.
Nem mais nem menos: saberei ser a superação do deserto. Abandonar-te-ei por não saber já como amar-te mais.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Genial! Um texto maravilhoso ilustrado por uma belíssima imagem, notável 👏🏼
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