Quando iniciei o Outono ainda a morte não era profusa. Contudo, a desolação da paisagem indiciava já uma prodigiosa solidão. Junto às folhas amarelecidas sentei os primórdios da minha vida e, sentado, aguardei o devir, a água tombando a rodos.
Todos os anos aqui voltei.
Todos os anos aqui voltarei.
Todos os caminhos me trarão aqui, ao simbolismo das folhas aguardando o meu corpo. Esse breve amarelecer do céu devolvendo-me a impossibilidade da permanência.
Virá um dia em que tudo será distante. Então, com os olhos partindo abrangerei a visão de outros mundos.
Um dia virá esse dia.
Virá um dia em que tudo será distante.
Um dia.
Um dia haverá o rápido instante da partida.
Deixarei então partir meus olhos. Serei a rápida visão das águias.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Tão bonito! Tudo, texto e a imagem que o ilustra, uma maravilha
ResponderEliminarÉs um anjo Inês, muito obrigado!
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