Em baixo, rente à mudez do solo, há uma longa planície aguardando a água, o incendiário regresso do verbo.
Fiat.
Faça-se o início desde o início, e desde o início seja outro o mundo. Que tudo se inicie em Eva e Adão e na certeira serpente. Que haja maças em demasia e que as demasiadas maçãs sejam para sempre trincadas. Bem assim, hajam anjos desnudos dançando-nos os corpos. Que em Eva haja a macieza do toque, a florescência dos sentidos, e que em meus dedos haja o secreto dom da alegria. Que os anjos nos ensinem a proeza dos corpos inflamados no sopro da vida, e que nossas línguas possam ser dançadas até à exaustão. Que então nos possamos completar até formarmos o vicejamento do todo.
Em baixo, rente à mudez do solo, poderei escutar o marulhar das águas. Seguindo o rasto das águas acercar-me-ei dos oceanos. Estarei na berma, aguardando a chegada das baleias - de Jonas, o meu regresso.
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

Sempre tão bonito 👏🏼 Tudo
ResponderEliminarMuito obrigado, linda Inês.
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