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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sobre toda a escuridão - X - Fotografia: José João Loureiro; Texto: Rui Carvalho



Permaneço sentado, com a cabeça entre as mãos. Assim me reservo a embriaguez dos lugares. Dirijo-me ao centro das coisas para que ai me possa habitar, tornar-me rente aos precipícios, todos os locais onde me faça cair. 
Como uma chuva de flechas certeiras, que a verdade sobre mim se abata. Que seja o mundo uma realidade incompreensível e que ainda assim me possa restar ao gritante desespero. 
De qualquer modo, correrei célere após o cansaço. Abrirei os braços como asas sobre o mar e assim permanecerei. Haverá um instante em que serei seguro, seguirei a sombra dos meus gestos, o mais intenso dos percursos. 
Nada há após a morte. Nada excepto o brilho do que fica. 
É essa a única luz que me interessa, a das estrelas cintilando rente aos olhos dos viventes. 

Deus disse: que a luz se faça! 

E no instante a luz se fez.


Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

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