Segundo parece, a realidade é imbuída na mecânica do salto. Tudo terá começado a existir no salto dado de um vazio para outro vazio, com um outro vazio pelo meio. Desde o início dos tempos nada mais houve a não ser essa profusa repetição.
Também o humano é um ser repetivel. Jamais deixámos de ser a repetida profusão de vazios sobre vazios.
De tempos em tempos julgamos poder prosseguir a marcha; até porque há saltos que nos levam desde não sabermos onde até não sabermos onde. Ainda assim, não podemos escapar à acessa mania de nos situarmos. Criamos lugares fictícios onde julgamos poder fixar-nos, e aí mimamos os figurinos da alguma felicidade. Vestimos fatos pré-feitos que achamos ficar-nos bem.
Contudo, é o umbigo, são os nossos umbigos que nos centram o mundo. Pouco mais somos que essa peculiar cicatriz. Após termos chamado a nós o poder gravitacional do mundo não existirá mais nada a fazer a não ser mantermo-nos sustidos na força de Atlas, suportando o peso da realidade com os nossos ombros. Quando nossos ombros ruírem, nossas vidas ruirão com eles.
De qualquer modo, que outra coisa poderia existir no hiato entre a não vida e a vida, entre a unicelularidade e a pluricelularidade, que outra coisa que não o incompreensibilidade do vazio?
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

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