Translate

domingo, 15 de outubro de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - XIV - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



Que a realidade se inverta, que espaço e tempo se convertam no seu contrário. Que a temporalidade transcorra, da frente para trás. Que no início de tudo esteja a morte e a morte transcorra o percurso até à vida. Quanto à espacialidade, rapidamente nos adaptaremos a tocar o cume das coisas. A copa das árvores tocará nossos pés, e isso tornar-se-á um hábito. Habitaremos então o solo como quem habita a sua casa de sempre.
Que o mundo possa aguardar nossa chegada, aqueles que na mortandade buscam o toque da vida. Os que na morte soam as inequações, as incógnitas e as variáveis, os gestos até ao findar do medo. 
Com as vozes ecoando ouviremos os relâmpagos; trovejaremos a ausência de sentido, e, na ausência de sentido, desocultaremos os milagres. 
De qualquer modo, mais facilmente atingiremos a proximidade dos deuses. 
Que sejamos tão inexistentes quanto as profissões que aqui nos moldam. Que as profissões não se colem a nossas peles e assim estejamos mais perto da transparência. 
Quando olharmos os espelhos serão os espelhos a olhar-nos. Viveremos uma espécie de animismo, uma intensa correlação com as coisas em redor. 
Sim:
“We are the children of the sun” 
and, yes:
“our journey’s just begun!”


Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

1 comentário: