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domingo, 8 de outubro de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - XIII - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



Leva-nos uma vida inteira o afinamento das cordas para serem tocadas. 
Após a acmé resta-nos aguardar: os gestos oblíquos dos deuses ou a fala agreste dos demónios. Pouco importa, desde que sejamos dados como música, que em nossa pele façamos vibrar a musicalidade do mundo. 
De qualquer modo, é fundamental saber invejar a inteligência das pedras, aguardar que nossos pés flutuem até à lisura do escorregamento. 
Ao rasarmos o vácuo estaremos já perto daquilo que o futuro nos reserva. Será esse o momento em que nos mostraremos aptos para testar o salto. 
Saltar ou não saltar depende do talento para a queda, para o exercício da acrobacia. A execução do salto implicaria cair com os pés já fora do chão, já fora do mundo. 
Seria necessário estarmos aptos. Sermos férteis de equilíbrio, da dose de estranheza necessária ao vislumbre, ao acompanhamento da velocidade do milagre.

Sim, a verdadeira Fé é muito para além da loucura.

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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