Que a realidade se inverta, que espaço e tempo se convertam no seu contrário. Que a temporalidade transcorra, da frente para trás. Que no início de tudo esteja a morte e a morte transcorra o percurso até à vida. Quanto à espacialidade, rapidamente nos adaptaremos a tocar o cume das coisas. A copa das árvores tocará nossos pés, e isso tornar-se-á um hábito. Habitaremos então o solo como quem habita a sua casa de sempre.
Que o mundo possa aguardar nossa chegada, aqueles que na mortandade buscam o toque da vida. Os que na morte soam as inequações, as incógnitas e as variáveis, os gestos até ao findar do medo.
Com as vozes ecoando ouviremos os relâmpagos; trovejaremos a ausência de sentido, e, na ausência de sentido, desocultaremos os milagres.
De qualquer modo, mais facilmente atingiremos a proximidade dos deuses.
Que sejamos tão inexistentes quanto as profissões que aqui nos moldam. Que as profissões não se colem a nossas peles e assim estejamos mais perto da transparência.
Quando olharmos os espelhos serão os espelhos a olhar-nos. Viveremos uma espécie de animismo, uma intensa correlação com as coisas em redor.
Sim:
“We are the children of the sun”
and, yes:
“our journey’s just begun!”
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho
Texto: Rui Carvalho

Tudo tão bonito! O texto delicioso e a imagem encantadora
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