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domingo, 1 de outubro de 2017

Tale of a man who whispered to the flowers - XII - Fotografia: Céu Baptista; Texto: Rui Carvalho



O mundo inicia-se no sopé das coisas, na radical proximidade com o solo. No início há uma adaptação ao meio ambiente, qualquer coisa como uma aprendizagem da queda. Numa primeira fase trata-se de nos adquirirmos na posição bípede. Para tal é necessário arrastarmo-nos sobre quatro patas num longo processo de tentativa e erro. 
Após várias quedas estaremos aptos para nos exercermos no andar. Pé ante pé atingiremos o equilíbrio, a plasticidade motora que nos distinguirá da mera animalidade. 
Quanto à espiritualidade nada funciona assim, são raros aqueles que deixam a posição quadrúpede para trás das costas. 
A espiritualidade.
Quanto à espiritualidade, é fundamental que nos saibamos adquirir na habilidade da secagem. A transpiração das mãos. A transpiração das mãos é um óbice à subida. Por conseguinte,  torna-se indispensável a utilização do carbonato de magnésio, dos múltiplos utensílios que nos possibilitem a aderência do corpo às rochas. Sim, a espiritualidade equivale à constância na escalada. Devemos habitar-nos nos íngremes caminhos rasgados nos rochedos. Quanto mais elevada for a nossa posição, mais perto estaremos de nós mesmos. Devemos pois manter-nos na posição mais elevada possível durante o maior período de tempo possível. 
Sim, é o modo como nos posicionamos que revela a nossa situação no mundo.

Subirei os penhascos até alcançar-te.  

                                                              A escalada será íngreme até que possa habitar teu nome.

Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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