Permaneço sentado, com a cabeça entre as mãos. Assim me reservo a embriaguez dos lugares. Dirijo-me ao centro das coisas para que ai me possa habitar, tornar-me rente aos precipícios, todos os locais onde me faça cair.
Como uma chuva de flechas certeiras, que a verdade sobre mim se abata. Que seja o mundo uma realidade incompreensível e que ainda assim me possa restar ao gritante desespero.
De qualquer modo, correrei célere após o cansaço. Abrirei os braços como asas sobre o mar e assim permanecerei. Haverá um instante em que serei seguro, seguirei a sombra dos meus gestos, o mais intenso dos percursos.
Nada há após a morte. Nada excepto o brilho do que fica.
É essa a única luz que me interessa, a das estrelas cintilando rente aos olhos dos viventes.
Deus disse: que a luz se faça!
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

Encantador! Como sempre o texto e a imagem. muito bom
ResponderEliminarObrigado, linda Inês.
Eliminar