O arranjo. As coisas arranjam-se. Pelo menos pensa-se que sim.
A política. O arranjo do mundo.
Pobres coitados.
O mundo não tem arranjo. O mundo é inarranjável. Pobres de nós que acreditamos continuamente na arranjabilidade do mundo. A política. O homem da pólis. Os homens que arranjam as coisas. O ódio que tenho aos homens que arranjam as coisas. Esta miserável espécie de profetas. A política, os políticos.
Amanhã. Amanhã para sempre.
Como se existisse um amanhã.
As promessas. Os políticos. Os políticos, os políticos míopes, os políticos cegos para o mundo. Os políticos cegos para o mundo prometendo o arranjo do mundo. Os políticos cegos para a leitura do mundo. O mundo não tem arranjo.
A técnica. A especialização técnica.
As profissões.
Putas. Cambada de putas.
Como condenar as putas, se vós sois infinitamente mais putas que qualquer mulher vendendo o corpo? As putas têm um segredo. As putas vendem o corpo, mas não vendem as suas almas. Pelo menos a qualquer um. As putas dão suas almas aos homens que verdadeiramente querem, aos homens que verdadeiramente as possuem. Vós vendeis-vos vossas almas ao horror. Vós vendei-vos vossas almas à riqueza, ao comércio dos homens. Os homens comerciando os homens.
Animais. Piores que animais. Tecnocratas.
Putas hediondas. Mais que putas hediondas, filhos de putas hediondas. Como vos odeio. Como vos odeio, horda tecnocrata. Ó vil corja tecnocrata.
A névoa. A brancura. A névoa do mundo desenhando-me a misantropia.
Por onde ir? Ludibriados e ludibriadores. O engano. Tudo engano. Por onde ir? Como suportar o engano? A política. O homem da pólis. Como suportar o homem da pólis? As boas intenções. O inferno está cheio de boas intenções. Pelo menos ouvi dizer que sim. Como suportar a brancura do mundo? Como suportar a brancura do vosso mundo? Como suportar a névoa? Como suportar a névoa do mundo? O vosso mundo sem altos nem baixos, sem em cima e em baixo, sem esquerda nem direita? Como suportar o vosso mundo sem mundo? Como suportar a mentira?
A ânsia de poder. Tudo em vós é ânsia de poder.
Tudo em vós é esse hálito apodrecido, essa demanda de nenhures.
A inevitabilidade. A previsível inevitabilidade. Os números. As estatísticas.
O mundo reduzido a números e estatísticas. A riqueza latejando. Latindo. Os latidos da riqueza submergindo a realidade. O poder. A ânsia de poder. Tudo no mundo é ânsia de poder. A política. A ânsia de poder. Como alcançar o poder a não ser através da mentira? Ludibriadores e ludibriados. Ricos e pobres. O que tudo isso interessa? Uma questão técnica. Tudo não passa de uma questão técnica. Os ludibriados tão ludibriadores quanto os ludibriadores. Os ricos tão pobres quanto os pobres. A pobreza de espirito. A pobreza de espirito é a gangrena do mundo.
Olhai o mundo. Olhai o mundo e vide o mundo gangrenar.
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