Dar-se passos em redor da deriva; olhar para cima sem que se reze. Saber que no deserto não existem cruzes, tão só a persistência do vento ecoando as intempéries. Aguardar as tempestades de areia. Coabitar as tempestades. Sentir a areia pesar e assim rasgar o ar nos pulmões.
Viver a vida como ela é, com a dor apertada junto ao pescoço. Soluçar. Persistir no soluço.
Encarar as metástases como rios. Ser como os rios sangrentos onde me habito. Ser os conjuntos de células vibrando-me por dentro das vísceras.
Aguardar a imergência dos organismos. Aguardar o crescimento inflamando a divisão celular. Os ciclos de vida. Aguardar o envelhecimento e a morte.
Precustrar a matéria orgânica. Ser a intensa deriva da matéria. Ser a genética dos corpos, o processamento orgânico dos materiais até à proliferarão anormal da divisão celular, até ao tumor anichado no peito. A germinação cancerígena habitando a viagem linfática, sanguineamente percorrendo os vários órgãos.
A matéria, a inflamação da matéria, o inorgânico protelado no orgânico.
Ninguém jamais venceu a guerra contra o corpo, nem mesmo Jesus, cuja carne sucumbiu no Martírio da Cruz.

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