Atingida a puberdade todos serão chamados a meu território.
Contudo, poucos ouvirão o chamamento. Entre os poucos, pouquíssimos restarão. Pouquíssimos serão aptos à escuta do vento soprando, cingidos às árvores onde me habito.
Os que ouvirem minha voz serão únicos, unívocos, singulares. Inadequados. Mais concretamente: não crescerão. Os que escutarem minha voz recusarão o crescimento, recusarão suas sombras ofuscando o redor.
Em volta, as crianças irão crescer. Deixarei que as crianças cresçam. O crescimento das crianças será estão escutado entre meus ramos. Os nascidos neste mesmo solo onde me firmo serão inequívocos, isentos de ambiguidade. Tal qual em mim, para os nascidos em mim não existirá outra interpretação que não seja a perene recusa da perfídia.
A homogeneidade do solo cercar-nos-á. Na homogeneidade nos enraizaremos. A luz transparecerá, como sempre, mas somente para aqueles que estejam aptos ao transparecimento.
Os que transparecerem exercerão a árdua tarefa da escuta. Seremos ouvidos escutando. Os ramos compondo meu solo serão escutados no soprar do vento e o soprar do vento comporá a harmonia do mundo. Seremos entre o ruído estridente e a beleza harmónica da composição.
Intocada, a música das esferas verterá sobre a copa das árvores.
Então, somente então, serão nossos corações tocados pela magnificência das florestas.
Contudo, poucos ouvirão o chamamento. Entre os poucos, pouquíssimos restarão. Pouquíssimos serão aptos à escuta do vento soprando, cingidos às árvores onde me habito.
Os que ouvirem minha voz serão únicos, unívocos, singulares. Inadequados. Mais concretamente: não crescerão. Os que escutarem minha voz recusarão o crescimento, recusarão suas sombras ofuscando o redor.
Em volta, as crianças irão crescer. Deixarei que as crianças cresçam. O crescimento das crianças será estão escutado entre meus ramos. Os nascidos neste mesmo solo onde me firmo serão inequívocos, isentos de ambiguidade. Tal qual em mim, para os nascidos em mim não existirá outra interpretação que não seja a perene recusa da perfídia.
A homogeneidade do solo cercar-nos-á. Na homogeneidade nos enraizaremos. A luz transparecerá, como sempre, mas somente para aqueles que estejam aptos ao transparecimento.
Os que transparecerem exercerão a árdua tarefa da escuta. Seremos ouvidos escutando. Os ramos compondo meu solo serão escutados no soprar do vento e o soprar do vento comporá a harmonia do mundo. Seremos entre o ruído estridente e a beleza harmónica da composição.
Intocada, a música das esferas verterá sobre a copa das árvores.
Então, somente então, serão nossos corações tocados pela magnificência das florestas.
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho

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