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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Desertos - XXVIII - Fotografia: António Caeiro; Texto: Rui Carvalho



Todo este cimento, forjado na monotonia, rarefeito como a atmosfera. Ao inalá-los guardo em mim o destino dos terríveis lagartos. O que representam 230 milhões de anos na economia do Universo? 
Tudo se trata de enormissimas explosões. Meteoritos. Profundas crateras. Espessas nuvens  de poeira eliminando as espécies. 
Muito bem, chegámos ao humano, esta evidência fóssil da acumulação de todos os detritos. Um quadrúpede que se sustenta sob duas pernas. A inteligência, já se sabe. Somos distintos, tão distintos. Excepto quando o nevoeiro nos traga. 
O nevoeiro - este lugar onde me situo. Será aqui que o recobro virá, ou não. Nunca se sabe o que o nevoeiro nos esconde.
Resta-nos esperar, por dentro do nevoeiro. Esperar jamais colidir uma qualquer predeterminação. São as predeterminações que nos sufocam, que nos tornam imbecis como todos os outros. As predeterminações cegam-nos para o que verdadeiramente importa. 

A Arte.

Antes correr o labirinto de olhos vendados que sustentar-me na predeterminação.

Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho

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