Submarino. Reflexo como sangue. Antes da consanguineídade. Sou submersível. Não interessa onde sou. Não interessa onde fui. Sou impossível. Na pele recalcada. Sou a recalcada pele, ainda antes do poder ser. Tubarões e baleias. Animais de grande porte. Não aqueles que se rendem. Moby Dick. Onde te celebro? Deitando ouro, rasgando ouro. O enigmático dom da deriva. Moby Dick, a baleia enfurecida. Pele contra pele. A premissa do silêncio. Impermissivos como peixes. Avaros. Avaros, como cisnes grasnando. Pássaros de grande porte. Abre tuas asas Moby Dick. Eu te grasnarei. Até aos céus. Serei imperecível. Deus rasgando a metamorfose das coisas. Em silêncio. Incêndios indevidos. Coisas indevidas. Nada é devido a não ser o não poder ser. O óleo das baleias. As candeias que nos erguem. Candeias erguidas antes ainda do petróleo. Petrolífero. O néctar da indisposição. Ariadne. Onde estás? Onde estás faminta? Onde me és faminta? Pele contra pele? Eis-me, grasnando. Ariadne: escuta minha voz, Ariadne? Onde és? Ariadne, onde estás? Onde vislumbro tua nudez, acesa no óleo das baleias? No óleo das baleias fui o esforço de te ter. Agora. Agora só tu me faltas. Estivemos contra-natura. Sou contra a natureza das coisas. Infame. Infame e prolixo, como os detritos. Irregenerável. Sou as bodas entre portas. Sangue contra sangue. Até à desigualdade dos desígnios. Um caminho aberto até à Patagónia. Caminhos rarefeitos. Sem partilha de oxigênio. Montanha acima. Perto dos duendes. Perto da presença das coisas fartas. A atmosfera é farta de imprecisões. Sigo a impossibilidade. Sigo as cores do desalento. Em alto mar busco as altas montanhas. A sobrevivência. A impossível sobrevivência de meu desígnio. Cores fartas. Um mundo farto de cores. Até ao infra-vermelho. Um talento de coisas raras. Coisas raras e contrafeitas. Impossíveis. As coisas em metamorfose. Perto do arco íris. Perto. O sinal da aliança. Quem nos diz como ser? Somos perto da impossibilidade. Perto da impossibilidade, mas não impossíveis. Não somos impossíveis. Somos a magia do estar a ser. Somos mágicos como as fragas provindo. Somos o alto mar das coisas. Por baixo, as ondas respiramos. Somos a respirar. Por baixo do farto desígnio. Respiramos como peixes. Assombrados. Somos assombrados pelo medo de nos sermos. Entre coisas impossíveis. Entre beijos reerguidos na fala de nossa infância. Entre coisas adjacentes e supérfluas. Raro como o Sol. Como planeta girando entre a medula óssea. Sou intrínseco às coisas. Sou o peso que se pesa. Vasto. Vasto como as planícies desejando. Uma estrada aberta no impossível, sem curvas. Sempre em frente. Vislumbrando o ponto de fuga. Em infinito me sou. Rasgando estradas sem saber onde. Sempre em frente é a estrada, rectilínea e imprecisa. A estrada. Em sinal de desejo. Imprópria. Extravagante. Extravagante até à lua das coisas impraticáveis. Dedos soltos na planície de tuas pernas. Em húmus, o desejo. A humidade das coisas impenetráveis. Até à penetração.
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