Este seria o caminho… As pedras seriam purificadas e o solo abalaria nossos pés.
Libertar-nos-íamos das arestas. Seriamos carcomidos pelo fogo até atingirmos o limite da paixão.
Jerónimo caminharia connosco, os proscritos.
Em nada me interessa a economia do mundo. Nada excepto os frutos secos, as íngremes paisagens cortando a respiração, a aprendizagem desse salto tornando-me maldito.
Que as vozes entrecortem a visão deste silêncio. Que minha mão se torne escrita. Que nela ecoe um sopro vindo de longe, da inóspita lonjura onde lentamente Jerónimo enlouqueceria.
O deserto calcídico, a sudoeste de Antioquia.
Roma é já um lugar distante, essa longínqua cidade onde aprendi a mestria da multiplicação dos orgasmos, onde as mulheres que possuí me foram dadas na mais intensa e espasmódica alegria. Aí, junto ao prodígio de Stridon fui mestre na oferta do prazer.
Contudo, a mundana alegria das mulheres que possuíra jamais de mim elidira a mais agreste e profunda tristeza.
Jerónimo, o Homem, tocando a maldição!
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

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