Sabe-se, de ouvir dizer - aqui se conjurou a vida. Todas as noites as lâmpadas sobre-aqueceram a ignição das possibilidades, a atmosfera criada em redor. A luz dos candeeiros guiou as almas dos combatentes e o absinto manteve-nos de pé, erguidos contra o antagonismo dos ventos.
Deveríamos ter sido mais comedidos? É provável.
Foi estulto jogarmos contra todas as probabilidades? Talvez.
O mundo pode ser sempre qualquer outra coisa, mas nunca aquilo que queremos que seja. Contudo, nunca somos derrotados enquanto alguma luz persistir. Por isso, não descansem os abutres.
Há sempre alguém pingando sangue.
Há sempre um qualquer solo tingido pela dúvida.
Enquanto a dúvida for a paixão e a beleza o único antídoto contra o mal, aqui virá alguém munido de archotes. Sim, não descansem os abutres, os candeeiros manter-se-ão acesos. Nos mesmos dias, à mesma hora, aqui estará alguém. Poucas almas, é certo; o mundo é imprestável e a estultícia cola-se nas pessoas, entranha-se-lhes como um gás nocivo. Quando um dia for já demasiado tarde, talvez os muitos percebam que rasto nenhum deixaram. É sempre assim. Sempre é demasiado tarde quando todo o mal já está feito.
Ainda assim, não se esqueçam os abutres, os abutres e todos os outros animais de idêntica vileza:
resta-nos esta luz, esta luz que todas as noites reacenderemos. Enquanto esta luz nos restar jamais a beleza vos será rendida.
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho

Magnifico! Como sempre
ResponderEliminarMagnifico olhar! Como sempre...
EliminarMagnifico! Como sempre
ResponderEliminarMagnifico! Como sempre
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