Avesso aos pingos de chuva me entorno nesta pressa de chegar a seco. Dias sem fim aguardando a chegada da noite, acendendo-me por dentro do escuro.
Apreendo-me na arte do capotamento. Do cinzento ao negro, emaranhado nas iluminadas luzes do esquecimento. Como rio vertendo-me nas frestas, entre o inicio e o fim, esta ténue linha onde me exerço.
Funâmbulo.
Funâmbulo me estico os dias para além do implausibilidade do regresso.
Dentro de mim, agora me oiço. Vozes. Vozes ecoando no estrondo do rasgo. Mais ou menos temperadas, cindidas no avesso da carne.
Não existe nenhuma cura mediante a sedação. Sim, não há muros que separem o inseparável, sequer pregos que durem a eternidade; que eternamente funcionem os mecanismos que nos dormem.
Dentro em pouco acordaremos.
Irromperemos o sonho da transmutação, para que na transmutação nos sejamos outros.
Entretanto.
Entretanto.
Apreendo lições Antigas, canções ecoadas no torpor dos Tempos. Somente então serei digno de entoar o regresso a esta casa.
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho

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