Não, não podemos ser mais que um único triunfo. Após a aquisição da juventude a queda torna-se-á irreversível. Será essa aguda consciência da queda que nos fará perder o pé. Sim, somos aqueles que se perdem, uma estranha gente ecoando na tristeza.
De qualquer modo, a desorientação é um lugar iniciático, uma condição fundamental para a procura de sentido.
E olha, quando os dias correrem sobre nós, nós esticaremos os elásticos onde pende a miséria que nos une. Depois soltá-los-emos de repente e, com ambas as mãos abertas sobre o mundo, moldar-nos-emos nas possibilidades.
Se medirmos bem os percursos tudo isto é mitologia.
O sangue corre-nos desde o coração, por entre os túneis abertos em nossas veias e, atingiremos a velocidade máxima antes de sermos tolhidos pelo Minotauro. Creta existe desde sempre e a memória de Teseu ata-nos no mesmo fio onde juntos perderemos a respiração. A realidade é labiríntica e os nossos sonhos também. Resta-nos rever a eternidade da Tragédia, alcançar a catarse através da re-persecução da beleza.
Com um olhar sólido entre ambas as margens e o som das cascatas brilhando, assim nos resgataremos as paisagens.Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

Tanto texto como a fotografia são de uma grade beleza, dupla magnífica
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