O mar invade o pleito do meu fígado e hoje é já a tarde em que partiste. Depois, amanhã é um qualquer cinzeiro aguardando as cinzas do que fomos. De qualquer modo, é o vigor metafísico da paisagem que nos aproxima da melancolia. Há estes passos que nos alongam as manhãs; e é necessário segui-los até ao cerne das metamorfoses.
Entretanto.
Entretanto vão chegando os vendedores de castanhas, julgo terem sido eles a trazer-me o cheiro da maresia.
E o vinho, o vinho não colmata já a tua ausência, a sequiosa precisão desde onde me chegavas.
Ainda assim, um oásis é o lugar onde sede e água se juntam como possibilidade e há ainda vários caminhos que precisam ser percorridos. Antes de lá chegarmos, de tocarmos o cerne da paisagem, lidaremos com miragens. É exactamente isso que somos uns para os outros, miragens que se erguem rente à precisão dos nossos olhos.
Há contudo esta evidência larvar percorrendo o antro das coisas. E não obstante sermos cegos, tanto para o demasiado grande quanto para o pequeno em demasia, deve haver uma qualquer magia que nos funda.
Tudo se trata de uma questão de fé.
Tudo se trata de uma questão de fé.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Sem comentários:
Enviar um comentário