Como não percebemos que a história se revela tão mitológica quanto a mitologia ela mesma, e que chegamos à figura de Cristo através do percurso dos mitos? Transformámos a mitologia do Sol vencedor num acontecimento teológico. Sim, a vitória da luz sobre as trevas é uma ambição de sempre.
Mantemo-nos contudo na periferia das coisas. Há vitórias que não nos dão nada de novo. Pelo menos neste mundo. E não seria necessária a sua reversão para que existisse qualquer outro? Qualquer outra coisa que não esta imensa escuridão?
Aproximamo-nos do solstício de Inverno como se nos aproximássemos de um trem em andamento. Corremos céleres até estarmos quase próximos. Quando estamos próximos, o trem afasta-se de nós. De qualquer modo, não temos fôlego para mais…
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

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