Assim se deve viajar: aproximando-nos das crateras, cingindo os olhos ao infinito, o lugar onde não te vejo como se te visse. Alguns vulcões adormecidos atingirão então o estado de pré-ebulição. Será nesse local que instalaremos a primavera em redor dos nossos corpos. Aí, onde o escorço das paisagens se desenha, faremos uma tangente ao lugar onde a alegria é prestes. Seguiremos depois em frente, continuando sem destino.
Após o cansaço, e, por não haver leito onde nos deitarmos, seremos o privilégio de ler as estrelas. Olharemos o céu aberto, a luz que flui desde o início dos tempos. As vozes abrir-se-ão e sobre nós se exercerá a surpresa. Far-se-á o que houver a ser feito para que a vida se aproxime do todo, para que nossos corpos atinjam o cume das coisas.
As paisagens ser-nos-ão presentes, e, apesar da lonjura do mundo, viveremos o rigor de todas as possibilidades.
Assim se deve viajar: cingindo os olhos ao infinito, o lugar onde não te vejo como se te visse.
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

Lindo! Excelente texto e muito bem acompanhado pela belíssima imagem
ResponderEliminar