Entre uma casa e outra há o ofício do barro. Como um espelho, o húmus germinando até à ausência do solo. Nas cavernas descobrimos abrigo. Depois, desde a lonjura do verbo até ao lugar onde existimos, distamos alguns milímetros do fogo.
A determinada altura há uma cisão.
Nas sombras alcançamos a parecença das imagens. Como tochas acesas sinalizando a luz, nelas ardemos até à incompreensão.
Tocadas em tons dóricos as escalas do fogo indiciam-me o caminho, os lugares inóspitos onde os homens não passam. Sigo as imagens, o intacto silêncio das pedras. Será aí que transpareceremos.
É necessário chafurdarmos no lodo para sabermos de onde provimos.
Aguardemos pois a água e a lama, todos os lugares desabitados. Transcorrendo o rio Jordão, desde o lugar onde se desce até ao desaguar no mar morto, há um mundo de permeio.
Entre a água e a lama ocorrerá a vida, a tentação da queda, tão grande quanto a vontade de nela sucumbirmos.
Que o desejo cresça tanto que nos tornemos Dioniso - as formas do vinho, o furor da paixão.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho
A determinada altura há uma cisão.
Nas sombras alcançamos a parecença das imagens. Como tochas acesas sinalizando a luz, nelas ardemos até à incompreensão.
Tocadas em tons dóricos as escalas do fogo indiciam-me o caminho, os lugares inóspitos onde os homens não passam. Sigo as imagens, o intacto silêncio das pedras. Será aí que transpareceremos.
É necessário chafurdarmos no lodo para sabermos de onde provimos.
Aguardemos pois a água e a lama, todos os lugares desabitados. Transcorrendo o rio Jordão, desde o lugar onde se desce até ao desaguar no mar morto, há um mundo de permeio.
Entre a água e a lama ocorrerá a vida, a tentação da queda, tão grande quanto a vontade de nela sucumbirmos.
Que o desejo cresça tanto que nos tornemos Dioniso - as formas do vinho, o furor da paixão.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Excelente texto e, fotografia magnífica 👏🏼
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