Digamos que os sonhos de apagam, que se vão tornando cada vez mais ténues. No início dão-se com uma força tal que nos empurram à acção. Depois, é a acção que nos empurra. Deixamo-nos ficar colados ao mundo e colados ao mundo tornamo-nos horizontais. A verticalidade dilui-se com o tempo. Damos por nós sendo quem jamais quisemos ser.
O mundo ocorre-nos como uma beleza hostil. Nós ocorremos com o mundo. Somos qualquer coisa transcorrendo entre a bestialidade e o divino.
E.
Há imagens que nos espelham melhor que o nosso olhar no espelho. O abandono. Quando a manhã ocorre o mundo torna-se tarde. Como rios desaguando as encostas de uma qualquer lixeira, somos levados na enxurrada. O primeiro a chegar sente-se mais alto, mais próximo da afirmação. Aí chegados, perdemo-nos na obesidade mórbida.
Deixamos para trás as incertezas.
Deixamos para trás as incertezas.
Deveríamos manter sempre uma distância segura relativamente à estupidez. Até porque, qualquer travagem do veiculo da frente nos trará a colisão. Subtraímo-nos ao que poderíamos ter sido e esse é o pior retrocesso. Rondamos o abismo cheios de certezas até cairmos de bruços sobre o nosso próprio vomitado.
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: António Caeiro
Texto: Rui Carvalho

O que dizer?! Simplesmente genial, do tanto à imagem. Bravo 👏🏼
ResponderEliminarHá na alma de Rui Carvalho Stig Dargman…..Diria sim que Rui Carvalho é o o "nosso" Stig D. Português. "A nossa Necessidade de Consolo é impossível de satisfazer"...
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