Basta alterar as cores do mundo para que o mundo pareça ser outro. No entanto, tudo se mantém o mesmo. Imitamos a vida longe da lava e longe da vida tornamo-nos gastos.
As casas envolvem-nos os gestos. Nós envolvemo-nos nas pretensas certezas. Assim vamos camuflando os dias. Camuflados nos dias avançamos noite adentro. Cingimos a pele com a roupa adequada buscando o centro das coisas.
Esta sede de alcançar o brilho.
Confundimos a felicidade com o bem estar. Talvez seja sensato. A felicidade é um tempo fugaz, foge-nos das mãos como a areia da praia. Sejamos pois comedidos. Queiramos um brilho que não brilhe muito. Contudo, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa". Um pouco de método é o que se exige.
Os lugares construídos pelos homens não são lugares felizes. O nosso bem estar colide com o bem estar dos outros e para que tudo batesse certo seria necessário ilidirmos de nós a ganância. Ou seja, a soma dos corpos é idêntica à soma dos mundos. Cada corpo é um lugar próprio e intransmissível.
São estes os factos que nos condicionam.
Nem felizes nem infelizes, vamos divergindo até à hecatombe.
Rui Carvalho, s. d.
Rui Carvalho, s. d.

Que maravilha! Excelente texto, e bonita imagem
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