Segundo a escola de Kos, haveria uma correlação directa entre o aparecimento da doença e as precárias condições ambientais em que viviam aqueles que a padeciam. Assim sendo, o estado saudável dependeria do modo como se correlacionam o quente, o frio, o húmido e o seco; e o predomínio de qualquer um destes humores implicaria o estágio na doença. Talvez seja devido ao facto de sequer havermos verdadeiramente nascido que não nos apercebemos quão doentes somos. Sem quaisquer dúvidas e raros enganos, este extenso local desde onde nada se vê excepto o reflexo dos umbigos no espelho.
As portas são fechadas no selo da ignominia e por detrás delas se escondem os códigos que permitem o vislumbre das coisas.
Somos aqueles que são frente ao desconhecimento, que frente ao desconhecimento anseiam o umbigo do mundo, o lugar desde onde tudo se desvela ou não.
De qualquer modo, é fundamental que possamos munir-nos com uma pequena navalha. Incidir leves golpes nos vários pontos onde a dor enforma a doença. Começar depois а bater levemente nesses pontos соm а parte incisa dа lâmina. Aguardar quе о sangue surja. Em seguida colocar pequenas ventosas sobre os locais onde o sangue se revela. Colocar a própria boca nа abertura situada nа extremidade das ventosas e lentamente extrair о ar do ѕеu interior. Fechar hermeticamente a abertura desde onde se extraiu o ar e deixar a ventosa presa à pele. Esperar a remoção do sangue necessário.
Em seguida, aguardar a reação do corpo, a febre indispensável ao cozimento dos humores em excesso. Deixar a physis seguir os seus mecanismos naturais até à expulsão do humor em excesso. Ou isso ou a contrariação das qualidades desnecessárias ao mundo.
Tornar-se melancólico. Contemplar a melancolia até ao rebentamento dos tímpanos.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Muito bom 👏🏼
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