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quinta-feira, 15 de novembro de 2018
De Rerum Natura - III - Fotografia: Gusha Lawrence; Texto: Rui Carvalho
Dois hemisférios, um barco, uma travessia. Cada um de nós é uma ilha, e cada ilha é um continente. Regulamo-nos pelo cansaço, não pelas horas do mundo.
O tempo dos relógios difere da realidade, e tal facto implica que sejamos apenas uma breve aragem, que ocorramos distantes de tudo. Deslocamo-nos no vento, na hipnótica certeza de estarmos sós.
Eis os dias, colando-se entre si.
Não fora o nosso apego às coisas tudo seria sempre igual.
Ainda assim, entre a tristeza e tudo o resto há uma breve aproximação, as velas enfunadas enfrentando os vendavais. É disso que se trata, de processos de descolagem. A contagem decrescente vai do máximo até ao mínimo. Quando o mínimo se assoma somos perante a partida, o intenso abandono dos lugares.
Entre o preto e o branco, livro-me das cores intermédias. Navego até ao desapego, ao rasar de uma adolescência perdida. Talvez haja uma vantagem no sofrimento. Talvez seja esta a vantagem: saber-me no mar como se em Deus me soubesse.
Fotografia: Gusha Lawrence
Texto: Rui Carvalho
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