Rasgamos os dedos na colheita das flores e depois os espinhos acompanham-nos para sempre. A estultícia propaga-se, como um veneno. De tal modo que não há qualquer limite para o mal que causamos. Atraídos pela força da gravidade, ruminamos o chão até nos tornarmos infectos. E não, não há luz que nos ilumine. Há uma porta que se abre e depois se fecha para sempre.
Partimos às cegas por dentro do labirinto; depois andamos às voltas uma vida inteira.
Procuramos pistas, indícios de um brilho que nos indique o lugar onde devemos permanecer. Por vezes julgamos que sim, que encontrámos o tal brilho. Quando assim é, corremos como loucos na direcção apontada. Acho que somos seres de vislumbres, uns mais outros menos. De quando em vez vislumbramos uma qualquer ilusão, um breve brilho reflectido no interior da caverna. Na ânsia de nos acendermos corremos então desalmadamente.
Sim, os cavalos também se abatem.
Temos a cenoura em frente dos nossos narizes e é a cenoura que nos guia os passos. Há quem pise. Há quem seja espezinhado. Por vezes as posições mudam. Os espezinhados gastam toda a sua energia tentando mudar de posição. Os que espezinham tentam manter-se assim, a todo o custo. Meras crianças brincando no escuro, é nesta amálgama de “não se sabe bem o quê” que desperdiçamos as nossas vidas.
Deveríamos ser criadores de mundos, ao invés de sermos crianças brincando na escuridão. A energia, somente a energia pode fazer brilhar o escuro.
Deus disse: “ faça-se a luz!” e a luz foi feita.
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

Maravilhoso
ResponderEliminarÉs linda, Inês. Muito obrigado!
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