A madrugada repete-se, indefinidamente. A clareza das manhãs contrasta com a estranheza da realidade e assim nos tornamos cercados na melancolia. A cada madrugada julgamos ter acertado o mundo. Olhamos o branco como um indicio de clareza, esquecendo que também o branco se escurece. Depois, a noite percorre-nos até que o brilho nos ofusque, e quando o brilho nos ofusca tendemos a cerrar os olhos.
As qualidades secundárias não explicam o ser do mundo. Mesmo que pudéssemos pintar a realidade de cores distintas tudo se manteria o mesmo. A demíurgia apenas nos toca uma única vez. Após o acto de Criação tudo se repetirá do mesmo modo, para sempre.
Então, cegos de exterioridade, tendemos a olhar para dentro. Olhamos para dentro e continuamos ausentes de sentido.
Somos em hecatombe, o bem e o mal derivando-nos em todos os caminhos.
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: Céu Baptista
Texto: Rui Carvalho

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