A realidade gera-se na constante luta dos opostos, e a isso se deve o facto de estarmos desde logo condenados a singrar no absurdo. Mesmo que nos fosse possível correr o mundo de trás para a frente, em nada se alteraria a sequência das nossas vidas. Tal qual um corredor de barreiras na inversão da corrida, seriam exactamente os mesmos os obstáculos onde cairíamos.
É isto: somente sabendo quem somos seremos aptos a saber aquilo de que somos capazes.
Adquiri a sabedoria das coisas, a evidência que o mundo se restringe a isto. Qualquer coisa entre a profunda tristeza e a mais intensa alegria.
Ou vice-versa.
Sim, somos nós o mito de Sísifo; aqueles que transportam a intensa alegria da pedra que nos coube.
Eis-nos a consciência da queda, Camus, meu Irmão.
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: José João Loureiro
Texto: Rui Carvalho

Belíssimo
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