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domingo, 19 de agosto de 2018

Útero - XXI - Fotografia: Sónia Nobre; Texto: Rui Carvalho



Este é o amor, síncrono. Habitamos planetas distantes. Tu ali e eu aqui. Há que rasgar a pele, lembras? Mostrar aos ossos as suas vísceras. E o silêncio, um espaço ainda simples. Sem rasgos de luz, ainda não. Quando estiver perto avistarei teu nome. 
Desde onde os rios correm? E as palavras? Desde onde nos perdemos? 
Lá em baixo havia água. Na nossa infância enchíamos os cântaros, levávamos a luz na pressa exangue de nos perdermos. 
Depressa nos tornámos homens, gente tão indecifrável. 
É claro que não sei… 
As perguntas são difíceis, minha filha. Num qualquer século impossível tornar-nos-e-mos hologramas. Sim, seremos visíveis para sempre. Mas não é isso que importa. Ou. Será apenas isso? Deus é um pronome impossível, uma espécie de luz isenta de matéria. Porque não os hologramas? Porque não sermos apenas luz? Uma vibração preenchendo as galáxias, o espírito correndo por dentro de nós…

Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

3 comentários:

  1. Simplesmente, magnífico! Permita-me a partilha.

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  2. Como sempre muito bom, parabéns ao Rui pelo texto e à Sonia Nobre pela fotografia

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