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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Útero - XVIII - Fotografia: Sónia Nobre; Texto: Rui Carvalho



A cal das paredes oculta uma terrifica verdade - Antígona - emparedada entre o amor e o sacrifício. 
Contudo, nada de preocupações. Sejamos cegos para o visível. Vejamos apenas a superficialidade das coisas. Talvez desse modo fiquemos a salvo do temor. 
Ainda assim, os cigarros fumados revelam-nos um tique neurótico.
Ah, mas deve haver qualquer coisa. Deve existir qualquer coisa dentro das paredes e é essa qualquer outra coisa que nos assusta. 
Restar. É esse o exacto e terno verbo que nos define. Somos a restar. Há gente que se resta, que dura séculos, milénios. Há gente que se gasta no perpetuar da sua infância. 
E.
De qualquer modo, haverá mulheres bonitas inalando o meu cheiro e só isso poderá já justificar uma vida; e uma morte também.

Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho




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