Há um assomo de tristeza habitando o interior das casas quando os frutos abandonam o coração das árvores.
Lá fora há o mundo e o mundo gera o medo. Os anos decompõem-nos as estações e a cada estação a dor aumenta em nosso peito. Vivemos a secura dos frutos e secos nos deparamos.
Lá fora há o mundo e o mundo gera o medo. Os anos decompõem-nos as estações e a cada estação a dor aumenta em nosso peito. Vivemos a secura dos frutos e secos nos deparamos.
Sim, o inverno dos dias é o tempo de todas as partidas e todas as partidas nos conduzem a quem poderíamos ter sido.
Proviemos na neblina e aí nos insolvemos.
Depois é tarde, demasiado tarde.
Os frutos cingem-nos no medo, e no medo nos afogamos. Deixamos-nos afogar na expectativa do porvir até à impossibilidade do regresso.
Somos premissas de um mero silogismo, até nos tornarmos irrefutavelmente inconclusos.
É assim, é sempre assim que o amor nos seca.
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho

Magnifico! Tanto pelo texto como pela imagem
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