Este é o amor, síncrono. Habitamos planetas distantes. Tu ali e eu aqui. Há que rasgar a pele, lembras? Mostrar aos ossos as suas vísceras. E o silêncio, um espaço ainda simples. Sem rasgos de luz, ainda não. Quando estiver perto avistarei teu nome.
Desde onde os rios correm? E as palavras? Desde onde nos perdemos?
Lá em baixo havia água. Na nossa infância enchíamos os cântaros, levávamos a luz na pressa exangue de nos perdermos.
Depressa nos tornámos homens, gente tão indecifrável.
É claro que não sei…
As perguntas são difíceis, minha filha. Num qualquer século impossível tornar-nos-e-mos hologramas. Sim, seremos visíveis para sempre. Mas não é isso que importa. Ou. Será apenas isso? Deus é um pronome impossível, uma espécie de luz isenta de matéria. Porque não os hologramas? Porque não sermos apenas luz? Uma vibração preenchendo as galáxias, o espírito correndo por dentro de nós…
Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho