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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Útero - XVII - Fotografia: Sónia Nobre; Texto: Rui Carvalho



Há um assomo de tristeza habitando o interior das casas quando os frutos abandonam o coração das árvores. 
Lá fora há o mundo e o mundo gera o medo. Os anos decompõem-nos as estações e a cada estação a dor aumenta em nosso peito. Vivemos a secura dos frutos e secos nos deparamos. 
Sim, o inverno dos dias é o tempo de todas as partidas e todas as partidas nos conduzem a quem  poderíamos ter sido.
Proviemos na neblina e aí nos insolvemos. 
Depois é tarde, demasiado tarde. 
Os frutos cingem-nos no medo, e no medo nos afogamos. Deixamos-nos afogar na expectativa do porvir até à impossibilidade do regresso.
Somos premissas de um mero silogismo, até nos tornarmos irrefutavelmente inconclusos.
É assim, é sempre assim que o amor nos seca.

Fotografia: Sónia Nobre
Texto: Rui Carvalho


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Breve tratado acerca da arte de jardinar

Procuro o remoto lugar onde mais ninguém haja ou a preenchida metrópole onde ninguém se conhece. Jamais o intermédio das coisas, o provinciano lugar onde tantos aldeões se julgam tão cosmopolitas.

Rui Carvalho, s. d.